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Discordo

Autor: Eduardo Nunes

Concordar pode ser muito reconfortante. Aquela sensação de que finalmente alguém me entende, valida meu ponto de vista, prova que não estou sozinho com minha opinião.

Mas será que discordar precisa ser sinônimo de briga ou ruptura?

Talvez tenhamos nos habituado a entender divergências como algo a ser evitado, quase uma deselegância. Pedimos desculpas ou licença para discordar. I beg to differ, se diz em inglês. Parece sensato deixar política, religião e ideologias longe do almoço em família, do café no trabalho, ou do Facebook.

Mas se minhas únicas opções são evitar debates, ou me cercar de quem reforça meu ponto de vista e confirma minhas hipóteses, de onde virá a oportunidade para mudar de ideia?

Discordar nem sempre é agradável, mas pode ser importante lidar com esse desconforto de forma pacífica e respeitosa. Saber discordar com elegância pode ser muito útil, se quisermos cuidar bem de nossas relações pessoais e profissionais.

Mas como lidar bem com pontos de vista tão contraditórios, com opiniões que chegam a nos ofender? Não tenho aqui a fórmula da harmonia plena, mas gostaria de compartilhar uma pequena lista de lembretes que venho tentando usar, ao entrar em uma discussão de ideias:

  • É uma discussão de ideias, não de pessoas. Eu sou uma coisa, minhas ideias são outra. Mudar de ideia não é como abrir mão de minha identidade ou personalidade. Rever o que penso diante de um argumento melhor é sinal de amadurecimento e coerência.
  • Pode ser que eu esteja errado. Esta pode ser uma oportunidade de identificar e corrigir o erro.
  • Quem discorda de mim nem sempre está mal intencionado, querendo me enganar para levar vantagem, ou advogando em causa própria.
  • Muitos problemas podem admitir soluções diferentes, e igualmente válidas.
  • A diferença entre um 9 e um 6 depende completamente do ponto de vista do observador. Basta ler esta frase de cabeça para baixo para perceber.
  • Que tal encarar o debate como um esforço colaborativo? Se eu penso A, e você pensa B, que tal unirmos nossas inteligências e curiosidades para tentar descobrir qual ponto de vista está mais próximo da “verdade”? Decifrar um problema fica mais fácil unindo forças.
  • Debates não precisam ter um vencedor. Considerar um ponto de vista novo e diferente pode ser mais importante do que provar que estou com a razão.
  • Criar o hábito de ler e ouvir quem discorda de mim. Há muita gente inteligente com ótimos argumentos contrários às minhas convicções. Vale procurar, e me assegurar de que entendi seu ponto de vista, mesmo que eu continue discordando.
  • Me incomodar ou me ofender com a opinião do outro não faz com que eu esteja certo. Se eu quiser mudar sua opinião, terei que me esforçar para apresentar ideias melhores. Se quero falar, devo estar disposto a ouvir.
  • Saber quando e com quem debater. Se uma das partes não estiver disposta a refletir e ouvir o outro lado, pode ser melhor adiar a discussão.
  • Concordar em discordar. Nem sempre chegaremos à persuasão do outro, ou a um consenso. E isso não precisa resultar em inimizade.

São apenas algumas ideias. Sinta-se à vontade para sugerir outras nos comentários, ou para discordar profundamente de mim. Não vou te excluir do Facebook por isso.

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